Dieese e centrais sindicais discutem fim da escala 6x1 em Jornada Nacional

Uma verdadeira ‘quebra de braço’ acontece no presente momento no Congresso Nacional Brasileiro durante a tramitação do Projeto de Lei 1838/2026 que vai decidir o futuro da maioria da classe trabalhadora brasileira através do fim da escala 6x1 com redução de jornada e sem redução salarial, assegurando dois dias consecutivos de descanso semanal remunerado.

O cenário foi apresentado pela coordenadora e economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Flávia Rodrigues, na última quinta-feira, dia 14 de maio, durante a Jornada Nacional de Debates, tendo como tema ‘Disputar renda, reduzir a jornada e o trabalho no centro do desenvolvimento’, atividade realizada pelo Dieese em parceria com as centrais sindicais.

 “O fim da escala 6x1 sem redução do salário é uma pauta importantíssima para toda a classe trabalhadora. Mesmo quem já tem a escala 5x2 é preciso lutar para que este direito seja de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, declarou Carol Rejane, vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE).

“O Brasil está à deriva no que diz respeito ao nosso futuro. Estamos diante de uma eleição importante. Cabe a cada um de nós participarmos de forma ativa pelas lutas específicas como esta da redução da escala de trabalho. E o Dieese tem garantido dados técnicos para este debate. Precisamos garantir que o povo brasileiro, os homens e as mulheres tenham direito ao lazer. A jornada 6x1 escraviza, e retira dos trabalhadores o direito de estar com suas famílias e de descansar”, afirmou Déa Jacobino, representando a CTB (Central de Trabalhadoras e Trabalhadores Brasileiros).

Dirigente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Fernando Santos destacou que: “essa construção coletiva é fundamental para a nossa vitória com o fim da escala 6x1”.

Flávia Rodrigues, economista do Dieese, alertou que o fim da escala 6x1 ainda não foi conquistado e, além disso, muitos deputados federais estão propondo emendas ao projeto de lei para prorrogar a implantação da nova escala de trabalho e diminuir a conquista da classe trabalhadora.

 “A apropriação das riquezas se dá em grande medida pelo capital, representado pelo grande empresariado que alcança grande lucratividade. Há plenas condições de se conceder a redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6x1, sem redução salarial e, ainda assim, manter alta lucratividade, manter a economia pujante. Hoje, com os avanços e inovações tecnológicas, já é possível que as pessoas trabalhem menos e produzam mais. E ganhem remunerações mais condizentes para ter uma vida com mais qualidade, podendo investir mais em educação, em lazer e no convívio com suas famílias”, explicou Flávia Rodrigues.

O fim da escala 6x1 NÃO vai quebrar o Brasil

A economista do Dieese explicou que quem trabalha na escala 6x1 recebe em média rendimentos muito baixos, por isso a redução da jornada não vai gerar nenhum dano para a economia. “O fim da escala 6x1 vai impulsionar a geração de novos postos de trabalho e, desta forma, vai impulsionar a renda, o consumo e a própria economia brasileira. Teremos mais pessoas trabalhando e com tempo livre para se envolver e se inserir na sociedade de outras maneiras”, observou Flávia.

A economista do Dieese acrescentou que a produtividade do trabalho não depende só da intensificação do trabalho, mas também da tecnologia, inovação, gestão, organização do trabalho, investimento em infraestrutura, qualificação profissional. “A jornada de trabalho é somente 1 das dimensões e, no Brasil, a renda é muito baixa. Por isso o argumento de que o País vai quebrar não se sustenta. Sabemos que este é o mesmo argumento que foi usado quando foram criadas as férias remuneradas, a licença maternidade e o 13º salário”, frisou Flávia Rodrigues.

Mais saúde e menos acidentes de trabalho

O Brasil está batendo recordes no crescimento do adoecimento provocado no ambiente de trabalho. As mulheres trabalhadoras são as principais vítimas de transtornos mentais que resultam da jornada exaustiva, pressão laboral, assédios moral e sexual, entre outros. Já os homens trabalhadores são principais vítimas de acidentes em ambiente de trabalho.

Ambos acontecimentos nocivos à saúde e à vida do trabalhador e da trabalhadora tem uma relação direta com a ampliação da jornada, conforme dados do Dieese. Quando a jornada salta de 40 horas semanais para 44 horas, o número de acidentes e adoecimentos sobe de 1,4 milhões para mais de 6 milhões de acidentes e adoecimentos.

Quem será beneficiada e beneficiado?

Em primeiro lugar as mulheres trabalhadoras serão beneficiadas, pois devido ao acúmulo de trabalho doméstico e atividades de cuidado não remunerado, as mulheres trabalhadoras acumulam em média uma jornada de 55h semanais. Portanto, trata-se do grupo mais exausto e que mais necessita de uma escala de trabalho que assegure o direito ao descanso.

O fim da escala 6x1 sem redução salarial e com diminuição da jornada de trabalho vai afetar diretamente mais de 75% dos trabalhadores formalizados, trata-se do percentual que hoje cumpre jornadas acima das 40 horas semanais. O maior quantitativo dessas pessoas que serão beneficiadas com o fim da escala 6x1 trabalha no comércio, na agricultura, na agropecuária, na construção civil e com o trabalho doméstico remunerado.

A coordenadora do Dieese encerrou a palestra alertando para a necessidade de se travar um diálogo com os senadores e deputados federais de Sergipe para saber como eles pretendem votar em relação a este tema de impacto direto na vida de toda a população brasileira.

Texto e foto Iracema Corso