MPF e parceiros celebram regeneração ambiental no rio São Francisco com o lançamento de documentário

O Ministério Público Federal (MPF) participou, na última sexta-feira (6), do lançamento do documentário “Memória Verde: Recuperação da Mata Ciliar do Rio São Francisco em Borda da Mata”. A exibição, realizada no próprio assentamento, em Canhoba (SE), serviu como marco para celebrar os 25 anos de uma intervenção ambiental que converteu pastagens degradadas em uma floresta consolidada às margens do Rio São Francisco. Na oportunidade, foi plantada uma muda de ingá na área da intervenção, simbolizando o florescimento da luta da comunidade pela recuperação ambiental.

O evento reuniu moradores e representantes de uma rede de cooperação institucional composta pelo MPF, Ministério Público de Sergipe (MPSE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS). O registro audiovisual documenta o reflorestamento de um trecho de 5 km, preservado sob o cuidado técnico das instituições e a colaboração direta da comunidade.

Para a procuradora da República Gisele Bleggi, o retorno ao assentamento confirma a viabilidade de políticas públicas voltadas à restauração ecológica. "Retornar à Borda da Mata, local que visitamos na Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do ano passado, é reafirmar que temos, sim, o poder de recuperar a natureza. Este projeto é um caso de sucesso que precisa ser replicado pelo poder público e pela sociedade”, afirmou. “Naquela época, planos de recuperação de áreas degradadas não eram comuns como hoje, e os recursos eram escassos. Mesmo assim, a comunidade agiu por espontaneidade e amor, entendendo que preservar a vegetação era vital para reter a água e garantir a sobrevivência dos nossos cursos hídricos", pontuou.

A procuradora regional da República Lívia Tinôco ressaltou o sucesso do projeto, que ganhou projeção internacional ao ser apresentado na COP 30, em Belém (PA). "Esse registro coroa um esforço hercúleo de anos na recuperação da mata ciliar, algo que foi identificado quase por acaso numa etapa da FPI e agora virou documentário. É lindo o que aconteceu aqui, porque a comunidade mostrou maturidade ao entender que precisava restaurar o ambiente para garantir uma vida melhor e com mais saúde para todos", celebrou.

Integração interinstitucional – O diretor do Centro de Apoio Operacional (CAOp) dos Recursos Hídricos do MPSE, o promotor de Justiça Sandro Costa, reforçou a importância da união entre os órgãos para o alcance de resultados duradouros. “Foi constatado um caso de sucesso que envolveu o Ministério Público e parceiros fundamentais. O projeto demonstra exemplares vegetais em ótimo desenvolvimento e prova que, com o trabalho conjunto, é possível alcançar resultados que beneficiam o meio ambiente e quem vive na região”, destacou.

Protagonismo da comunidade – O sucesso da regeneração ambiental em Borda da Mata é inseparável do trabalho dos assentados. José Barbosa dos Santos, morador do assentamento, expressou a importância de manter a rede de apoio ativa. "Com a presença de todos os órgãos aqui no nosso assentamento, a nossa luta fica cada vez mais forte para darmos continuidade no trabalho de preservação do meio ambiente e da nossa mata ciliar. Agradeço também a ajuda de toda a comunidade de Borda da Mata, que está sempre disposta e unida. Nós só temos a agradecer pela união de todos", declarou.

Produção e registro histórico – O documentário Memória Verde foi produzido durante a Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) de 2025. A obra foi realizada por Alisson Mota, coordenador de comunicação daquela etapa da FPI e então produtor audiovisual do MPSE, hoje assessor-chefe da Assessoria de Comunicação Social (Ascom) do MPF em Sergipe, e por Eric Almeida, produtor audiovisual do MPSE. O material agora integra o acervo institucional e será utilizado como ferramenta pedagógica para orientar sobre a eficácia da recuperação de matas ciliares mediante a articulação entre o Poder Público e as comunidades.

MPF, Com informações do MPSE