Cram atende mais de 100 vítimas e reforça acolhimento a mulheres em situação de violência

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cram) de Aracaju realizou, em janeiro deste ano, 131 atendimentos. O equipamento, vinculado à Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), acolhe tanto mulheres encaminhadas por outros órgãos quanto aquelas que procuram o serviço por demanda espontânea.

A secretária municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres, Elaine Oliveira, reforçou o compromisso da gestão com o fortalecimento da rede de proteção. “O Cram é uma porta de acolhimento e reconstrução de vidas. Cada atendimento representa uma mulher que decidiu buscar ajuda e romper com a violência. Nosso compromisso é garantir escuta qualificada, atendimento humanizado e políticas públicas que assegurem proteção, autonomia e dignidade. Estamos trabalhando para ampliar o alcance do serviço e fortalecer parcerias que contribuam para a independência financeira dessas mulheres, porque autonomia também é enfrentamento à violência”, afirmou.

De acordo com a coordenadora do Cram, Flávia Calumby, o maior desafio à frente do centro é combater a cultura machista. “Ao nos aproximarmos e convivermos com essas mulheres, percebemos que o maior desafio é fazê-las compreender a violência à qual foram submetidas. Muitas vezes, elas chegam aqui sem entender a dimensão do dano que sofreram. Ajudar a romper o silêncio diante da violência e superar as dificuldades para formalizar a denúncia - seja pelo medo de sofrer novas agressões ou pelo preconceito de familiares e amigos - é fundamental para quebrar o ciclo da violência”, destacou.

No local, as mulheres recebem acolhimento socioassistencial, etapa em que são identificadas as necessidades individuais e realizados os devidos encaminhamentos. As demandas incluem orientações sobre benefícios socioassistenciais, suporte jurídico e atendimento psicológico - este último, o serviço mais procurado.

“Neste primeiro mês à frente do Cram, avançamos no armazenamento de dados, com a digitalização e unificação das informações das assistidas por meio do CPF. Também pretendemos evoluir com o desenvolvimento de um sistema próprio do Cram, sempre com o objetivo de oferecer o melhor atendimento possível às mulheres que nos procuram em um momento tão delicado de suas vidas. Retomamos ainda as rodas terapêuticas às quartas e quintas-feiras e para facilitar a participação, passamos a disponibilizar o transporte para as assistidas que têm dificuldade de deslocamento consigam vir até o equipamento”, ressaltou Flávia Calumby.

Segundo a coordenadora, a meta é ampliar o alcance do serviço, atraindo cada vez mais mulheres para o Cram. “Queremos firmar parcerias que promovam o empoderamento das mulheres que integram nossa rede, para que se sintam seguras e desenvolvam suas habilidades, alcançando a independência financeira - fator decisivo para que muitas consigam romper com a situação de violência”, concluiu.

Foto: Diane Queiroz