Com percursos desafiadores, Corrida Cidade de Aracaju exige planejamento e preparo dos atletas

A preparação para provas de longa distância exige planejamento, disciplina e atenção a diversos fatores que influenciam o desempenho dos atletas. Na 41ª Corrida Cidade de Aracaju, marcada para o dia 28 de março, não será diferente. Com percursos de 5 km, 10 km e 24 km, a competição mobiliza milhares de participantes e exige preparo físico adequado para enfrentar a prova, especialmente no trajeto mais longo, que parte do centro histórico do município de São Cristóvão e segue até a praça Fausto Cardoso, na capital sergipana.

Considerada uma das provas de rua mais tradicionais do país, a corrida apresenta desafios que vão além da distância. As ladeiras presentes no percurso histórico e as condições climáticas típicas do período, com temperaturas elevadas e alta umidade, exigem atenção redobrada dos corredores, tanto na preparação física quanto na alimentação e na hidratação.

O profissional de Educação Física John Willian destaca que o treinamento adequado começa muito antes da prova e envolve uma preparação completa do atleta. “Todo esse planejamento é feito desde o início de uma maneira que os treinos são totalmente periodizados, com trabalhos de força, que são bastante importantes para esses atletas, além da parte aeróbica. É todo um contexto que eles acabam seguindo, não só na questão do treinamento, mas também na nutrição e na hidratação. O atleta exige muito do físico nesse processo da corrida, independente se seja uma prova de 5 km ou a meia maratona de 24 km”, disse.

Ele também ressalta a importância do trabalho de fortalecimento muscular para garantir segurança e rendimento durante a corrida. “O trabalho de força, muitas vezes associado à musculação, é uma base para qualquer atividade física e na corrida não seria diferente. Existe todo um contexto que envolve essa preparação para que os atletas cheguem de forma segura à prova. É uma corrida desafiadora e muitas vezes difícil de completar. Por isso, os profissionais que orientam os atletas fazem um planejamento do início ao fim. Nessa fase final, muitos acabam dosando a intensidade e já possuem uma estratégia para a prova, para que o atleta não dispare no início e acabe quebrando no meio do percurso”, explicou o educador físico.

Segundo o profissional, o planejamento inclui ritmo de corrida, alimentação e hidratação adequados, permitindo que o participante tenha melhor desempenho e aproveite a experiência.  “A corrida é bastante desafiadora, não apenas para atletas de alto nível, mas também para quem pratica atividade física. Hoje vemos um crescimento muito grande desse movimento na cidade. Muitas pessoas preferem descansar para, no sábado pela manhã, estar na Orla de Atalaia fazendo sua atividade física. Isso acaba mudando a vida de muita gente. Trabalho com corrida e recebo muitos relatos sobre diminuição de crises de ansiedade e depressão. A atividade física traz ganhos não apenas físicos, mas também psicológicos”, destacou.

Para quem vai enfrentar as ladeiras e a extensão do percurso, o fortalecimento muscular e a mobilidade são aliados importantes. “Todo atleta, seja profissional ou amador, segue uma periodização de treino. Nela são feitos trabalhos articulares e de fortalecimento para evitar lesões e garantir um rendimento seguro na prova. Como sabemos que é uma corrida longa e com elevações, isso pode trazer desafios extras, como dores ou problemas na canela, muito comuns entre corredores. Trabalhos de força e mobilidade ajudam a reduzir esses impactos. Exercícios simples, como treino de panturrilha e fortalecimento do core, fazem diferença. Nessa reta final é importante focar nesses detalhes, além de manter boa hidratação, alimentação adequada, consumo de bons carboidratos para garantir energia, proteínas para recuperação e um bom sono”.

A alimentação também desempenha papel fundamental no desempenho durante a prova. O nutricionista da Secretaria Municipal da Saúde, Rodrigo Werner, orienta que os atletas mantenham uma dieta equilibrada e evitem mudanças bruscas na alimentação nos dias que antecedem a corrida. “Antes da prova, o ideal é que o consumo de carboidratos seja feito de forma que a pessoa já esteja acostumada. Isso garante energia suficiente no dia da prova. A alimentação deve ser normal, sem nada muito pesado. Apenas água não é suficiente; o ideal é também utilizar isotônicos ou até água com um pouco de sal, para ajudar na reposição de eletrólitos que são perdidos com o suor”, explicou.

Durante o percurso, a reposição de líquidos e energia deve ser constante. “Durante a prova, pelo menos a cada 10 ou 20 minutos, a pessoa deve beber um pouco de isotônico. Muitos atletas utilizam carboidratos em gel para manter a energia durante a corrida, sempre associados à hidratação com isotônicos. É importante evitar comidas pesadas, gordurosas e excesso de proteína. O ideal é consumir carboidratos de rápida absorção, mais leves e líquidos. O principal cuidado é evitar a desidratação, mantendo a ingestão de água ou isotônicos”, concluiu o nutricionista.

Confira os percursos:

5 km – Largada às 16h, na avenida Marechal Cândido Rondon, cerca de 100 metros antes do viaduto da avenida Tancredo Neves, com chegada na Praça Fausto Cardoso, em Aracaju.

10 km – Largada às 16h20, na rótula de entrada do bairro Eduardo Gomes, em São Cristóvão, com chegada na Praça Fausto Cardoso, em Aracaju.

24 km – Largada às 16h20, na Praça do Carmo (Travessa Mamede F. Dantas), no centro histórico de São Cristóvão, com chegada na Praça Fausto Cardoso, em Aracaju. O tempo máximo para conclusão da prova será de 3 horas e 30 minutos.

Foto: Ronald Almeida/Secom PMA