Infecção urinária de repetição pode impactar sono, trabalho e vida sexual das mulheres

A infecção urinária está entre as condições mais comuns na saúde feminina e pode atingir mais da metade das mulheres ao longo da vida. Em alguns casos, porém, o problema deixa de ser pontual e passa a ocorrer com frequência, configurando um quadro de recorrência que exige atenção médica. Para além do desconforto físico, a condição pode impactar diretamente a qualidade de vida, interferindo no sono, no trabalho e até na vida sexual.

Segundo a médica infectologista e especialista em medicina intensiva Karina Ramalho, antes de identificar a recorrência, é fundamental reconhecer quando há, de fato, uma infecção urinária. "Para falarmos em infecção urinária, é necessário apresentar sintomas no trato urinário, como dor ao urinar, aumento da frequência urinária, dor no baixo ventre e urgência para ir ao banheiro", explica. A médica alerta ainda para equívocos comuns: "Mudanças na cor ou no odor da urina nem sempre indicam infecção".

A partir dessa definição, a frequência dos episódios passa a ser o principal critério para o diagnóstico de repetição. "Falamos em infecção urinária recorrente quando a mulher apresenta mais de dois episódios em um período de seis meses, ou mais de três episódios no ano", destaca.

Com a repetição dos quadros, os impactos deixam de ser apenas clínicos e passam a afetar o dia a dia. "Essas infecções causam grande impacto na qualidade de vida das mulheres porque limitam as atividades da vida diária, como viagens e exercícios físicos, atrapalham o sono, o trabalho — sendo uma causa comum de absenteísmo e queda de produtividade —, comprometem a saúde mental, com maior predisposição para sintomas ansiosos, e também atrapalham a vida sexual", afirma.

Esse cenário pode estar associado a diferentes fatores de risco, que variam conforme a faixa etária e o histórico de saúde. Em mulheres jovens e sexualmente ativas, a frequência das relações sexuais, o número de parceiros e o uso de alguns métodos contraceptivos podem contribuir para o problema. Já em mulheres menopausadas, a baixa produção hormonal local é um fator relevante. Comorbidades como diabetes, doenças neurológicas e doenças urogenitais também aumentam o risco.

"Mulheres com recorrência de infecção urinária têm maior susceptibilidade de colonização vaginal por patógenos causadores da infecção", acrescenta a médica, ao destacar a predisposição biológica associada ao quadro.

De acordo com a especialista, o diagnóstico pode ser feito através de exames clínicos ou de imagens, a depender dos sintomas apresentados. "Os exames de urina nem sempre precisam ser realizados, sendo deixados para casos mais duvidosos, como sintomas atípicos ou em mulheres já em uso de antibiótico", explica. Já exames de imagem são indicados em situações específicas. "São reservados para mulheres com queixas que sugerem alterações estruturais ou funcionais do trato genito-urinário, como incontinência urinária, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga ou pressão na região pélvica", diz.

A prevenção, por sua vez, passa por mudanças de hábitos simples, mas eficazes, especialmente para mulheres com histórico recorrente. "Aumentar a ingestão de água para dois a três litros por dia (nas mulheres que não têm contraindicação) e evitar muitas horas sem urinar são medidas importantes", orienta. Outras estratégias também podem ser adotadas: "Urinar após as relações sexuais, fazer exercícios para o assoalho pélvico e mudar métodos contraceptivos, a depender de cada caso".

Por fim, a infectologista reforça a importância da avaliação individualizada e do acompanhamento médico. "Outras estratégias podem ser escolhidas na consulta médica com especialistas, sendo aconselhado que essas mulheres sempre busquem ajuda", conclui.

Sobre Karina

Karina é médica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui especialização em Infectologia e Medicina Intensiva. Com mais de 20 anos de atuação na área médica, está entre os integrantes do Comitê Científico de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Atualmente, trabalha em hospitais privados e no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS); é líder em estratégias de prevenção e vigilância de infecções hospitalares, diretora Clínica e também responsável pela implantação de programa de gerenciamento de uso de antibióticos em hospital privado de Sergipe, que se tornou referência para outras unidades hospitalares.

Texto e foto NV Assessoria