Adema, Ministério Público e Polícia Militar divulgam resultados da Operação Caatinga Resiste

Em entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta-feira, 20, a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) e o Ministério Público de Sergipe (MP/SE) divulgaram os resultados finais da Operação Caatinga Resiste, que também contou com a participação da Polícia Militar, por meio da Companhia Independente de Polícia Ambiental (CIPAm) e do Batalhão de Polícia de Caatinga (BPCaatinga). Ao longo de duas semanas, foram fiscalizados 41 alvos em nove municípios, culminando com a identificação de 698,37 hectares de área ilegalmente desmatada e autuações que superam R$ 1,3 milhão em multas.

As fiscalizações ocorreram nos municípios de Canindé de São Francisco, Gararu, Itabaianinha, Lagarto, Pinhão, Porto da Folha, Riachão do Dantas, Simão Dias e Tobias Barreto. Todas as áreas fiscalizadas apresentavam desmatamento sem Autorização de Supressão Vegetal (ASV), o que caracteriza infração ambiental.

O presidente da Adema, Carlos Anderson Pedreira, destaca que a Operação tem fundamental importância para a preservação ambiental. “A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, essencial para a regulação climática e biodiversidade do semiárido. Seus recursos naturais são de grande importância para a sobrevivência de boa parte da população que vive na região. Então, a Adema se soma ao MP e aos demais órgãos, fazendo a sua parte na fiscalização desse desmatamento ilegal e na responsabilização dos infratores”, afirmou.

Um dos diferenciais da operação este ano foi o uso de tecnologias de monitoramento remoto. As equipes utilizaram a plataforma Brasil Mais, gerida pela Polícia Federal, que fornece imagens de satélite para acompanhamento das áreas. Aliado ao uso de drones, o sistema permitiu identificar alterações ambientais e acompanhar a evolução do desmatamento ao longo do tempo, contribuindo para maior precisão nas autuações.

De acordo com o gerente de Fiscalização da Adema, Aloízio Franca, o uso dessas ferramentas amplia a capacidade de atuação das equipes. “Às vezes, não conseguimos chegar em todos os alvos. Mas por meio de satélites e tecnologias de geoprocessamento e georreferenciamento podemos garantir a efetividade da ação e coibir esses ilícitos ambientais”, disse.

Segundo a Promotora de Justiça do MPSE, Aldeleine Melhor Barbosa, a operação evidencia o avanço do desmatamento no bioma Caatinga e reforça a necessidade de atuação conjunta dos órgãos de controle. “Diante desse cenário de desmatamento, inclusive em áreas de proteção, como unidades de conservação, terras indígenas e reservas legais, os MPs do Brasil se uniram e deflagraram a Operação Caatinga Resiste. A primeira se deu este ano e a perspectiva é que venha a se repetir e melhorar nos próximos anos para combater esse desmatamento ilegal”, informou.

A Operação foi nacional e aconteceu simultaneamente em nove estados. Ao final, contabilizou 324 alvos fiscalizados, totalizando 10.453 hectares de desmatamento e R$ 26.877.754,83 em multas aplicadas.

Foto: Lucas Campos