Ex-funcionários denunciam o atraso de salários, humilhação e jornadas abusivas em empresa de cursos profissionalizantes

Descaso, humilhação e falta de comprometimento. Com estas expressões, servidores que atuavam em diversos cargos na empresa de cursos profissionalizantes e treinamento “Curso Mais”, em Aracaju, descrevem a experiência na Instituição. Entre ex-professores, vendedores, secretárias e instrutores, o relato padrão é o do atraso nos pagamentos, somado a jornadas abusivas de trabalho e degradação.

“Eu fui a primeira vendedora em agosto de 2020, trabalho esse onde a gente era meio que escravos, pois o correto seria das 8h às 17h, mas tinha vezes que trabalhávamos até as 19h, 20h, 21h, além dos sábados e domingos, pois era o nosso telefone pessoal que era usado para o trabalho. A minha carteira só foi assinada em junho de 2021, fui promovida a coordenadora de vendas, mas o meu salário continuava o mesmo, o mínimo. A gente trabalhava e ele se desfazia, dizendo que fomos tirados do lixo e sem ele não seríamos ninguém, fazíamos a nossa cabeça para a gente ficar sem receber salário, saí de lá em março com quase R$ 6 mil em pendências. Eu quero apenas que outras pessoas não caiam nesse golpe, seja como funcionário, aluno, fornecedor de material”, conta Joyce Souza. 

Vários servidores que deixaram a empresa afirmam que tentaram dialogar com o proprietário, mas a situação nunca foi resolvida. Os ex-funcionários contam que mesmo sendo articulado um acordo judicialmente, o proprietário se eximiu dos pagamentos.

“Após o término da turma, deveríamos receber, mas muitos professores foram pacientes, passando  mais de um mês sem receber, só recebi quando concluí três turmas. Saí de lá com quatro turmas para receber, eu insisti para não largar a turma e os alunos, mas nunca dava certo. Não só os funcionários passam por isso, mas os alunos também, ele não tem educação, principalmente quando se trata de cobrança sobre estrutura”, contou  José Henrique, que atuou como instrutor de barbeiro.

Ainda de acordo com os relatos,  a cobrança por resultados era constante, mesmo na ausência de diversos direitos trabalhistas essenciais: “Eu saí com 4 salários em atraso, passagens em atraso, e ele dizia que ia dar prioridade de pagamento a quem continuava trabalhando. Saí dia 29 de setembro e até hoje não recebi, e quando ia falar com ele pra saber sobre meu pagamento ele humilhava muito, perguntava se estava passando fome. A única saída que vi foi acionar a Justiça, sendo que nem a Justiça ele respeita, pois tem dois pagamentos meus em aberto já por lei”, expôs Katiane Santos. 

Fonte: Fan F1