Reforma tributária exige preparo antecipado e acende alerta para empresários

Especialista alerta que mesmo em fase de simulação, mudanças já obrigam empresas a adaptar sistemas e revisar estratégias antes do início da transição oficial, em 2027

A reforma tributária já altera a dinâmica das empresas brasileiras e impõe uma agenda urgente de adequação ao setor produtivo. Embora 2026 seja tratado como um período de simulação, as exigências técnicas estabelecidas pela Receita Federal já estão em vigor. Especialistas alertam que adiar a preparação até o início oficial da transição pode resultar em riscos financeiros, falhas operacionais e perda de competitividade.

Neste ano, empresas com CNPJ precisam adaptar seus sistemas de emissão de nota fiscal para incluir os novos tributos criados pela reforma, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que unifica tributos estaduais e municipais. Apesar de não haver recolhimento dos valores neste momento, o destaque dos tributos nas notas fiscais já é obrigatório.

O advogado tributarista Dr. Guilherme Minuzzo Lima, CEO da Minuzzo Advogados Associados - escritório especializado em planejamento tributário, compliance e proteção patrimonial - explica que essa etapa funciona como uma validação do novo modelo, mas não deve ser ignorada. “Muitos empresários acreditam que, por ainda não haver recolhimento efetivo nos novos moldes, não é necessário agir. Esse é um equívoco. As exigências já estão em vigor, e a adequação precisa começar imediatamente”, declara.

A transição oficial está prevista para 2027, quando os tributos atuais começarão a ser substituídos gradualmente pelos novos impostos. O novo sistema institui um modelo de apuração não cumulativo, estruturado no creditamento ao longo da cadeia produtiva, no qual o imposto recolhido em cada etapa gera crédito para a fase seguinte. Na prática, a lógica passa a privilegiar a transparência tributária e a neutralidade econômica, reduzindo distorções e efeitos cascata.

Além disso, segundo o especialista, quando se trata das empresas optantes pelo Simples Nacional, é preciso olhar além da carga tributária reduzida. “Após a reforma, quando uma empresa do Simples vender para outra empresa que está no regime de Lucro Presumido ou Lucro Real, o adquirente não terá o crédito cheio de IBS e CBS. Isso torna aquela operação menos atrativa do ponto de vista fiscal. E, em um mercado cada vez mais orientado por eficiência tributária, esse detalhe pesa na decisão de compra”, explica Minuzzo.

Essas mudanças não são apenas operacionais, mas estruturais. “A empresa vai precisar analisar toda a sua cadeia. Fornecedores, contratos e organização interna passam a influenciar diretamente no imposto final. Não é uma mudança que se resolve de um mês para o outro”, orienta o tributarista. 

Guilherme reforça ainda que muitas empresas trabalham com contratos de longo prazo e fornecimento contínuo, o que torna o planejamento ainda mais urgente. “A reforma não começa em 2027. Ela já está acontecendo. Quem não se organizar agora pode enfrentar dificuldades quando a transição efetivamente iniciar”, finaliza.

Sobre o Minuzzo Advogados

O Minuzzo Advogados é um escritório com atuação nacional e sedes em Sergipe e São Paulo, voltado ao atendimento de empresas em diferentes setores da economia. A banca presta assessoria em áreas como planejamento tributário, compliance e proteção patrimonial, atendendo clientes que vão do agronegócio à tecnologia.

Atualmente, o escritório administra cerca de R$ 300 milhões em ativos, acompanha de forma contínua mais de 30 empresas e supervisiona aproximadamente 450 contratos empresariais, prestando suporte jurídico a mais de 100 organizações.

Texto e foto NV Assessoria