Participação feminina no Agroamigo representa 53% em Sergipe

É com o sol escondido nas nuvens das primeiras horas da manhã que a pecuarista Laís Andrade começa as atividades do dia a dia. Tirar capim para moer, preparar a ração do gado, dar água e verificar o bem-estar de cada bovino. Com as tarefas realizadas, o dia pode seguir em direção à casa de produção de farinha.

Foi na zona rural de Campo do Brito, na região Agreste de Sergipe, que a pecuarista começou as atividades aos 15 anos, por meio da tradição familiar. E ela descobriu a verdadeira paixão: cuidar do gado. Uma década e meia depois, ela mantém a lida no campo e hoje divide as tarefas com o marido William. A ração na estiagem vem da silagem de milho e mandioca.

Para ampliar a criação com qualidade e segurança, em 2017 a produtora entrou no programa de microcrédito rural do Banco do Nordeste (BNB), o Agroamigo. Os recursos foram utilizados para compra dos primeiros bovinos. Desde então, Laís já contratou operações no valor total de R$ 61,9 milhões, para financiar compra de terreno, equipamentos para preparo da ração, pequenas reformas e melhorias sanitárias na pequena propriedade. Hoje o casal conta com 12 cabeças de gado.

"Tudo começou no quintal da minha casa e, com o microcrédito rural, compramos uma vaca para parir e logo em seguida um pedaço de terra para fazer de curral. No começo tudo é difícil, mas com o financiamento não tinha como dar errado. É desafiador ser mulher nesse meio, mas não troco por nada. Eu sou feliz acordando cedo, cuidando do meu gado e nada muda isso", declara Laís.

No município de Capela, na região Leste do estado, a produtora Juliana Cardoso conta com recursos do Agroamigo há sete anos. Ela trabalha com avicultura de corte e, com apoio do microcrédito, montou uma usina solar para gerar economia e produzir energia sustentável.

"Hoje essa atividade é a renda principal da minha família e, a partir dela, realizamos vários sonhos profissionais e pessoais. Com o financiamento, além da energia solar, pude investir em um sistema semiautomático de entrada e saída de ração, e em um monocultivador. A máquina é como um mini trator, que ajuda a preparar melhor o solo para o plantio", explica Juliana.

Protagonismo feminino

Laís e Juliana são duas das 10.031 mulheres atendidas pelo Agroamigo em Sergipe. A presença delas em atividades de agricultura e pecuária superou a participação masculina no ano de 2024, quando chegaram à marca de 50,3% do total de pessoas beneficiadas. Hoje, mais de 53,7% dos clientes atendidos no estado são mulheres. De janeiro a julho, elas contrataram mais de R$ 135,6 milhões em microcrédito rural no estado (51,5% do total).

Em 2026, o Agroamigo celebra o Ano da Mulher Agricultora em toda a área de atuação. A data, declarada pela Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), é reforçada em Sergipe e nos outros 10 estados atendidos pelo BNB, que está em todo o Nordeste e em parte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

"O programa já tem o público feminino como prioritário no atendimento. Essa valorização reflete a realidade do campo, onde as mulheres empreendem, tal qual os homens, e, muitas vezes, estão à frente das atividades rurais, liderando o processo produtivo na propriedade rural familiar", reforça o gerente do escritório estadual do Agroamigo, Luiz Morato.

Ascom BNB - Foto: Caio Ribeiro