Orquestra Sinfônica de Sergipe celebra a pluralidade do forró em Grande Concerto

Sergipe respira forró em junho, e o gênero mostrou mais uma vez sua força e diversidade na noite desta quarta-feira, 3, quando o Teatro Tobias Barreto recebeu, com ingressos esgotados, o concerto “Grande Concerto Junino: Forró das Antigas”, apresentado pela Orquestra Sinfônica de Sergipe (Orsse), sob regência do maestro convidado Daniel Nery. A Orsse é uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), com patrocínio do Banese.

Integrante da Série Mangabeiras, o concerto reuniu canções que atravessam gerações em arranjos especialmente concebidos para a formação sinfônica. Além dos músicos da orquestra, a apresentação incorporou guitarra, baixo elétrico e piano, criando uma sonoridade que preservou a energia do forró sem abrir mão da precisão característica da música de concerto.

O repertório abriu com “Feira de Mangaio”, de Sivuca e Glorinha Gadelha, e seguiu por clássicos como “Pedras que Cantam”, de Dominguinhos e Fausto Nilo, e “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. O programa também incluiu “São João na Roça”, sucessos ligados a Calcinha Preta, Mastruz com Leite e Magníficos, além de “Timidez”, eternizada pela banda Cavalo de Pau. Os arranjos foram assinados por Guilherme Mannis, Bruno Menezes, Fabiano Santana, maestro Duda, Efraim Santos e Jair Maciel.

Para o maestro Daniel Nery, o concerto dialoga diretamente com uma das maiores paixões dos sergipanos. “A música nordestina, quando se encontra com o universo sinfônico, ganha uma nova perspectiva. Além do trio pé de serra, da zabumba e do triângulo, todos os instrumentos da orquestra passam a construir novas sonoridades. O público reconhece as músicas, mas também descobre novas possibilidades para elas”, destacou.

Segundo o maestro Daniel Nery, o Grande Concerto Junino já se consolidou como uma tradição dentro da programação da Orsse. “É um concerto que volta rapidamente porque existe uma identificação muito forte do público com esse repertório. O forró fala diretamente ao coração das pessoas, especialmente neste período junino”, completou.

Plateia

Na plateia, a sergipana Edjane Medeiros acompanhou a apresentação ao lado da amiga Lígia Paixão. Depois de muitos anos morando em Brasília, ela conta que tem aproveitado o período junino para se reconectar com as próprias raízes. “Quando chega o final de maio, eu já começo a pensar nos forrós. Onde tiver forró, eu quero estar. No mercado, na praia, na orla, nos teatros. Hoje vim prestigiar a orquestra e achei essa mistura maravilhosa. Já tive oportunidade de assistir a orquestras tocando forró em outras cidades e sempre acho uma experiência muito bonita”, relatou.

Para Lígia Paixão, que assistiu a uma apresentação da Orsse pela primeira vez, o concerto confirmou a admiração que já tinha pelo trabalho do grupo. “Sempre acompanhei pela televisão e o que mais me chama atenção é a qualidade da execução. Existe uma harmonia que envolve a gente, traz leveza e vai entrando na alma. É uma cultura da nossa terra, representada de uma forma muito bonita pela música sinfônica”, disse.

Frequentadora assídua dos concertos da Orsse, Dagmar Carvalho ocupou a primeira fila ao lado do marido, João Lopes. Mineira de origem e morando atualmente em Aracaju, ela destacou a relação entre o período junino e a programação da orquestra. “As festas juninas estão entre as celebrações de que eu mais gosto porque carregam muita cultura. Poder viver isso dentro do Teatro Tobias Barreto é um privilégio. A orquestra é um ganho para a população e para a vida cultural de Sergipe. São momentos que alimentam o espírito”, afirmou.

Foto: Júlia Rodrigues