Mutirão amplia acesso a benefícios assistenciais para famílias em vulnerabilidade

Para famílias que aguardam uma resposta sobre o acesso a benefícios assistenciais, a redução de etapas e a integração dos serviços podem representar um caminho mais rápido para a garantia de direitos. Com esse objetivo, teve início, nesta terça-feira, 22, o Mutirão do BPC + JUD, realizado em parceria entre a Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas) e o Centro de Conciliação da Justiça Federal.

No primeiro dia da ação, 35 famílias foram atendidas em uma estrutura destinada à análise e à reavaliação de processos relacionados a benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente de potenciais beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A iniciativa busca reduzir etapas e barreiras que, em um fluxo convencional, poderiam prolongar a espera. Durante o mutirão, os casos são analisados e, quando necessário, os beneficiários também passam por perícia médica, reunindo em um mesmo atendimento procedimentos que poderiam exigir deslocamentos e encaminhamentos distintos.

Segundo Danilo Bezerra, supervisor do Centro de Conciliação da Justiça Federal, a ação busca facilitar o acesso de pessoas em situação de vulnerabilidade e dar maior agilidade à análise dos processos. “A ideia é agilizar o atendimento a pessoas que estão em situação de vulnerabilidade muito flagrante, para que elas tenham acesso mais rápido, caso tenham direito ao benefício assistencial”, explicou.

O médico perito Bruno Tenório, que atua nos estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco e participou da ação, destacou que a realização da perícia durante o mutirão contribui para reduzir obstáculos enfrentados pelas famílias. “Esse modelo de atendimento se torna um pouco mais viável, um pouco mais rápido para a população. A gente facilita e ultrapassa várias barreiras que eles poderiam ter”, afirmou.

Histórias que carregam esperança

Por trás de cada processo analisado, existem histórias de famílias que enfrentam dificuldades e aguardam há meses por uma resposta. Uma delas é a de Maria Juscilene, de 46 anos, afastada do trabalho há três anos. Durante esse período, ela enfrentou dificuldades financeiras, dores e a espera por uma definição sobre o benefício. Depois de ter o pagamento cessado e recorrer à Justiça, Maria encontrou, por meio do atendimento da rede socioassistencial, uma nova possibilidade de encaminhamento para o caso. “Eu achei que não ia resolver minha situação”, contou.

Segundo Maria, o acolhimento recebido durante o atendimento foi diferente de experiências anteriores. Após passar pela perícia no mutirão, ela deixou o local com um sentimento que, segundo ela, havia ficado distante durante o período de espera: a esperança.

“Foi uma luz no final do túnel”, declarou.

Emocionada, Maria resumiu o significado do atendimento: “É humano cuidando de humano. É isso que a gente precisa.”

Outra família atendida foi a de Lucas Silva, pai solo que esteve no mutirão acompanhado da avó de seu filho, uma criança de 1 ano e 2 meses. A família enfrenta uma rotina de cuidados constantes e deslocamentos para atendimentos médicos. Para acompanhar a criança, Lucas precisou interromper a atividade profissional, enquanto a família passou a enfrentar também dificuldades financeiras.

No mutirão, a família recebeu orientação e acompanhamento da equipe envolvida na ação. Emocionado, Lucas agradeceu pelo atendimento recebido.

“Vocês abriram portas. Vocês deram apoio para a gente e fizeram a gente nunca desistir”, relatou.

Ao lado dele, a avó da criança, Maria Francisca da Silva, também se emocionou ao falar sobre o acolhimento recebido. “Vocês abraçaram a gente”, disse.

As histórias acompanhadas durante o mutirão mostram que o atendimento às famílias vai além da análise de documentos e processos. Em momentos de vulnerabilidade, a orientação, a escuta e o acolhimento também são parte importante do acesso às políticas públicas e à garantia de direitos.

Atendimento integrado

O Mutirão do BPC + JUD reúne esforços para tornar mais acessível o caminho percorrido por famílias que buscam benefícios assistenciais. A atuação conjunta permite que os casos sejam avaliados de forma integrada e que, quando reconhecido o direito, sejam adotadas as providências necessárias para a continuidade do processo de implementação do benefício.

A proposta é concentrar diferentes etapas do atendimento em um mesmo fluxo, reduzindo deslocamentos e facilitando o acesso das famílias aos serviços necessários para a análise dos processos.

O trabalho terá continuidade na quinta-feira, 24 de setembro, quando será realizado o segundo dia do Mutirão do BPC + JUD, com novos atendimentos e análises dos casos encaminhados.

Para as famílias atendidas nesta terça-feira, permanece a expectativa por uma resposta. Para aquelas que ainda passarão pelo mutirão, a iniciativa representa a possibilidade de encontrar, em um mesmo atendimento, orientação, escuta e encaminhamento para processos relacionados ao acesso a direitos assistenciais.

Foto: Ascom/Semfas