IAB-SE une urbanismo e realidade social em debate histórico sobre o Direito à Cidade para Mulheres

IAB-SE une urbanismo e realidade social em debate histórico sobre o Direito à Cidade para Mulheres

O Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Sergipe (IAB-SE) promoveu, nesta quinta-feira, 26 de março, a roda de conversa “Mulheres e o Direito à Cidade”. O evento, realizado no Auditório da Escola do Legislativo de Sergipe (ELESE) em celebração ao Mês da Mulher, reuniu profissionais e lideranças comunitárias para um diálogo qualificado sobre cidade, equidade e participação. O encontro teve como objetivo central discutir a construção de territórios mais justos, inclusivos e sensíveis às diversas realidades femininas.

A mesa de abertura foi composta por uma pluralidade de vozes que conectaram a técnica à vivência prática: Riva Feitoza (vice-presidente do IAB-SE), a deputada estadual Linda Brasil, as arquitetas e urbanistas Dara Maria Andrade Nascimento e Layne Costa, e a marisqueira e liderança comunitária Graziela dos Passos.

A vice-presidente do IAB-SE, Riva de Figueiredo Feitoza, deu início aos trabalhos reafirmando o compromisso institucional com a criação de cidades acessíveis a todas e todos. Em sua fala, destacou que "o planejamento urbano precisa olhar para as especificidades da vida das mulheres e das comunidades para se tornar verdadeiramente democrático, garantindo que o direito à cidade seja uma realidade para cada cidadão”.

Em seguida, a arquiteta e urbanista Dara Maria Andrade Nascimento trouxe dados contundentes sobre a realidade das trabalhadoras domésticas na Grande Aracaju. “Baseada na minha pesquisa, deduzimos que essas mulheres enfrentam não apenas longas jornadas de trabalho, mas também enormes desafios de mobilidade, vivendo, em sua maioria, em áreas periféricas com acesso precário ao transporte público e aos serviços urbanos, evidenciando uma ‘dimensão socioespacial da exclusão’”, explicou Dara.

A fragilidade ambiental e o crescimento urbano desordenado foram os temas centrais da fala da arquiteta e urbanista Layne Costa. “Os grandes condomínios de luxo no Bairro Jabotiana, por exemplo, não contemplam a acessibilidade e a mobilidade das trabalhadoras e trabalhadores que ali labutam diariamente, perpetuando barreiras invisíveis na cidade”, alertou Layne.

A realidade de quem vive e trabalha fora do eixo central foi relatada por Graziela dos Passos, marisqueira e liderança comunitária da Zona de Expansão de Aracaju. "Para nós, a Zona de Expansão não é só local de trabalho, é de vida e morte", afirmou, denunciando os acidentes com mortalidade catando mariscos e o descaso do poder público com os riscos de sua profissão, além da forma como o "progresso" da cidade muitas vezes acaba expulsando as comunidades tradicionais de seus territórios.

A deputada estadual Linda Brasil encerrou as falas das convidadas com um discurso focado na urgência de ocupar os espaços de poder para pautar o planejamento urbano de forma inclusiva e transversal. "Discutir a cidade sob a ótica de gênero é, antes de tudo, uma questão de justiça social e direitos humanos, pois os corpos periféricos, as mulheres negras e a comunidade LGBTQIA+ são as principais vítimas da segregação urbana", enfatizou a parlamentar.

Ao abrir o debate para o público, o presidente do IAB-SE, Wesley Lemos, reafirmou que o Instituto tem o dever de enfrentar temas fundamentais, especialmente quando o machismo e a violência tentam silenciar as pautas femininas. "Gostaria de falar apenas sobre questões técnicas da arquitetura, mas não podemos fechar os olhos para o que acontece nas ruas. O machismo estrutural também molda a cidade", pontuou Wesley, reforçando que a atual gestão prioriza o bem-estar social e a inclusão.

A iniciativa do IAB-SE foi amplamente elogiada pelos presentes, consolidando a gestão atual como um espaço de diálogo aberto e conectado com as demandas reais da população. As rodas de conversa e a mobilização de profissionais para debates fundamentais, como 'Mulheres e o Direito à Cidade', já fazem parte da identidade do instituto.

Para esta gestão, a arquitetura e o urbanismo devem caminhar de mãos dadas com a justiça urbana e a equidade, garantindo que o planejamento das cidades seja um instrumento de inclusão, onde o respeito prevaleça sobre qualquer forma de preconceito ou barreira social.

Assessoria de Comunicação, Conteúdo e Imprensa.