Bairro Farolândia reforça desenvolvimento e pertencimento dos moradores

O bairro Farolândia ocupa um lugar central na história de expansão e desenvolvimento de Aracaju, acompanhando transformações urbanas, sociais e econômicas que ajudaram a redefinir o mapa da capital ao longo das últimas décadas. Nesse processo de consolidação, a região preserva memórias e identidades que fazem com que parte da população ainda se refira à localidade como conjunto Augusto Franco, embora oficialmente seja o bairro Farolândia.

Segundo o Censo do IBGE de 2022, a Farolândia abriga 41.116 habitantes, população maior do que a de 65 municípios sergipanos. Esse dado ajuda a explicar a dimensão que o bairro alcançou ao longo do tempo. Para o pesquisador e criador de conteúdo digital Leonardo Ferreira, responsável pela página ‘Soube por Léo’, a Farolândia já nasceu com vocação para grandeza, e que o então conjunto Augusto Franco é símbolo da expansão urbana da capital. Segundo ele, a chegada da Petrobras, nos anos 1960, provocou um forte movimento de crescimento da cidade, que primeiro alcançou áreas como os conjuntos Inácio Barbosa e Médici. No entanto, foi na década de 1980 que o projeto do Augusto Franco ganhou forma definitiva.

“O conjunto Augusto Franco já nasceu maior do que muitas cidades do interior, com mais de cinco mil unidades habitacionais. Isso mudou profundamente Aracaju, porque marcou a expansão para o sul da cidade. Naquela época, essa região era muito distante. Se o Inácio Barbosa e o Médici já eram considerados longe, imagine aqui. A Farolândia sempre foi vista como um bairro distante, mas a implantação do conjunto foi fundamental para povoar essa área”, destacou.

Leonardo ressalta ainda que a consolidação do bairro ganhou novo impulso nos anos 1990, com a chegada da Universidade Tiradentes (Unit). Para ele, a instituição teve papel decisivo na transformação da região. “A partir da Unit, a Farolândia mudou completamente. Hoje, provavelmente, é o maior bairro de Aracaju. A universidade é um dos grandes motores do crescimento local, assim como a UFS foi para o Rosa Elze, em São Cristóvão”, comparou.

Ao falar sobre a identidade do lugar, o pesquisador chama atenção para uma confusão comum entre bairro e conjunto habitacional. “Na verdade, o bairro é Farolândia. O Augusto Franco é um conjunto dentro dele. É como acontece no Inácio Barbosa, que é o bairro, mas tem vários conjuntos, como Jardim Esperança e Parque dos Coqueiros. Aqui é a mesma lógica: existe o bairro Farolândia e, dentro dele, o conjunto Augusto Franco”, explicou.

Essa identidade também é construída a partir dos espaços públicos e da vida cultural. Para o pesquisador, praças, eventos e equipamentos culturais ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento dos moradores. “São espaços de convivência que desenvolvem o lado social e cultural do bairro. O Gonzagão, por exemplo, é um centro cultural importante. Temos o tradicional bloco de carnaval Galo do Augusto Franco, que é muito forte. Esses eventos conectam as pessoas e fazem com que elas se sintam parte do lugar onde vivem”, afirmou Leonardo.

Ele lembra ainda da importância histórica do farol que dá nome ao bairro. Segundo o pesquisador, quando Dom Pedro II visitou Aracaju, em 1860, já existia na região uma estrutura que funcionava como ponto de observação. O imperador teria comentado que o local merecia um farol. Anos depois, já no governo de Inácio Barbosa, foi inaugurado um primeiro farol, feito de madeira, que acabou sendo destruído por um incêndio. Dois anos depois, um novo farol, desta vez de ferro e com origem francesa, foi instalado e permanece até hoje como símbolo da Farolândia. “Esse farol é um marco histórico e é muito importante que esteja preservado. Ele dá nome ao bairro e ajuda a contar a história da cidade”, pontua.

Para quem vive o bairro no dia a dia, a Farolândia é mais do que um ponto no mapa. Moradora há cerca de 20 anos do Conjunto Augusto Franco, a diarista Erinalva dos Santos Cruz fala com carinho sobre o lugar onde construiu sua vida. “O Augusto Franco está crescendo muito e eu acredito que vai crescer ainda mais. A comunidade é boa, tem praças, posto de saúde, a gente encontra de tudo um pouco. Eu amo estar no meu conjunto. O Augusto Franco é um pedacinho de Aracaju muito desenvolvido”, relatou.

A auxiliar de serviços gerais Maria José Vieira dos Santos, de 58 anos, também acompanha de perto as transformações do bairro. Para ela, a Farolândia hoje é sinônimo de segurança e acolhimento. “Antigamente não tinha isso tudo. Aqui era areia, não tinha praça como tem hoje. Depois da Unit, o bairro foi crescendo aos poucos, surgiram prédios, comércios, tudo foi mudando”, lembra. Maria José destaca que o avanço da infraestrutura trouxe mais tranquilidade para os moradores. “Antes a gente não andava com segurança, tinha muito roubo. Hoje é diferente. Temos hospital perto, UBS funcionando melhor, médico no mesmo dia. A saúde melhorou muito. A prefeitura trouxe muita coisa boa, principalmente nessa gestão”, afirma, ao citar ainda a urbanização de canais e a chegada de mercados e lojas como sinais claros de desenvolvimento.

No Mercado Vereador Milton Santos, o feirante Jorge Bispo, de 65 anos, também faz parte dessa história cotidiana. Morador de outro bairro, ele trabalha há anos no Augusto Franco, vendendo amendoim cozido, um alimento que carrega tradição e é reconhecido como patrimônio cultural e imaterial de Sergipe. “Eu gosto de trabalhar aqui. Já tenho meus clientes certos, mas todo dia aparece gente nova. A feira tem movimento. O amendoim faz parte da nossa cultura”, conta.

Na Praça do Francão, o comerciante João Ferreira da Silva Neto, de 39 anos, conhecido como Galego, resume a relação afetiva com a Farolândia. Nascido e criado no bairro, ele construiu a família ali e segue apostando no comércio local. “Eu nasci aqui, criei meus dois filhos aqui. Gosto muito do Augusto Franco pela praticidade, por ter acesso fácil a outros bairros. Tudo é perto, tudo funciona. Eu até digo que preferia viver no meio do mato, mas enquanto esse dia não chega, continuo aqui. Um lugar que gosto muito”, destacou.

Depois de décadas de crescimento e transformação, o bairro segue recebendo investimentos que ajudam a melhorar o bem-estar da população. Entre os avanços recentes estão a reurbanização da Praça do Francão e a implantação de uma unidade pediátrica no Hospital Fernando Franco. A Prefeitura de Aracaju também prepara a inauguração da reurbanização da Praça da Juventude, que contará com um polo de tecnologia voltado para a qualificação profissional.

Tamo Junto Farolândia

É nesse contexto histórico e social que o bairro receberá, no dia 21 de fevereiro, a sexta edição do projeto Tamo Junto Aracaju, na Escola Municipal Irmãos Mirella e Marcell Moura. Das 8h às 13h, serão ofertados mais de 100 serviços, reunindo 19 órgãos da Prefeitura de Aracaju, com atendimentos nas áreas de saúde, assistência social, cidadania, serviços urbanos, empregabilidade, emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), entre outros. Com 8.822 atendimentos, a iniciativa já percorreu os bairros Lamarão, Industrial, José Conrado de Araújo, Olaria e Santa Maria.

Foto: Karla Tavares/Secom PMA