Artesãs do Chica Chaves levam produtos para ensaio fotográfico

Produzir uma peça artesanal é apenas uma parte do caminho até a venda. Fotografar o produto, apresentá-lo de forma atrativa e fazê-lo chegar a potenciais clientes pelas redes sociais são etapas que também passaram a fazer parte da rotina de artesãs do Centro de Artesanato Chica Chaves, em Aracaju.

Nesta sexta-feira, 25, produtos confeccionados pelas empreendedoras foram protagonistas de um ensaio fotográfico durante a terceira etapa da oficina “Empreendedorismo e Marketing”, promovida pela Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Sergipe (Sebrae/SE), no âmbito do projeto MEI que Sabe. Nesta etapa, a iniciativa contou também com a participação da Caju Óculos, cujos produtos foram utilizados na composição das fotografias com as peças artesanais.

O ensaio colocou em prática conteúdos discutidos desde o início da capacitação. No primeiro encontro, realizado em 8 de setembro, as participantes trabalharam conceitos como planejamento, definição de público-alvo, organização do negócio e estratégias de marketing. Na segunda etapa, no dia 17, avançaram no uso de ferramentas de divulgação e comercialização, especialmente das redes sociais.

Desta vez, o desafio foi transformar a teoria em imagens capazes de apresentar os produtos para além do espaço físico onde são comercializados.

A diretora de Empreendedorismo e Cooperativismo da Fundat, Cassandra Teodoro, avalia que a estratégia pode ajudar as participantes a superar uma limitação comum aos negócios que dependem principalmente da circulação de consumidores pelo ponto físico: o alcance restrito a quem já conhece ou visita o local.

“Queremos que elas percebam que seus produtos têm valor e que esse trabalho pode ser visto por muito mais pessoas, não apenas por quem sai de casa ou pelos turistas que passam pelo Chica Chaves. A ideia é que utilizem as mídias sociais para divulgar seus produtos”, afirmou.

Para Cassandra, fotografia, vitrinismo e presença digital passam a complementar a formação e o acompanhamento das empreendedoras. “É uma forma de trabalhar de maneira mais assertiva para o desenvolvimento da economia solidária no município”, acrescentou.

A instrutora credenciada do Sebrae/SE, Mel Correia, conta que a proposta surgiu durante o desenvolvimento das oficinas. Depois da parte teórica, a ideia foi criar uma experiência prática de divulgação.

“A oficina era sobre planejar o marketing da empresa. Trabalhamos toda a teoria e surgiu a ideia de fazer um ensaio unindo as peças das artesãs aos óculos. São peças belíssimas que precisam ser conhecidas. A proposta também é divulgar esse material nas redes sociais e marcar as artesãs para ampliar esse alcance”, explicou.

Da madeira às redes sociais

Para Sônia Cristina Ferreira Feitosa, responsável pelo Fio de Luz Atelier By Sônia, a internet abre uma nova possibilidade para um trabalho marcado pela produção personalizada. A artesã trabalha principalmente com bijuterias confeccionadas em madeira, utilizando formas geométricas, fios de seda e diferentes acabamentos.

“Hoje já reconheço uma peça minha quando vejo alguém usando. Muitas vezes, a cliente diz como gostaria da peça, eu produzo, envio e é maravilhoso ver o resultado”, contou.

Depois da capacitação, Sônia pretende explorar mais as possibilidades de divulgação e de parcerias proporcionadas pelas plataformas digitais.

“O marketing digital foi uma excelente oportunidade porque agora temos como fazer parcerias, trabalhar com outras pessoas, mostrar nosso trabalho e também conhecer o trabalho de outros empreendedores”, afirmou.

Para algumas participantes, o desafio de divulgar a produção veio depois de décadas dedicadas ao artesanato. Denise Pereira Santana Moreira trabalha há 21 anos no Chica Chaves e tem o crochê como principal atividade, além de produzir pesos de porta e outros artigos.

Ela avalia que ações de divulgação podem ajudar a levar a produção artesanal a públicos que não frequentam habitualmente o espaço.

“Isso abriu mais o nosso horizonte. Quando temos parceiros e nosso trabalho ganha visibilidade, aumenta também o incentivo para continuar criando. A própria criatividade floresce”, disse Denise.

Artesanato e moda na mesma campanha

O ensaio ganhou uma parceria comercial. A empresária Daniela Lopes, da Caju Óculos, levou produtos da marca para compor as fotografias com as peças produzidas pelas artesãs. A colaboração resultará na campanha de primavera-verão “Entre Tramas e Olhares”.

A ideia, segundo Daniela, é aproximar a moda da produção artesanal sergipana e utilizar o alcance digital da empresa, que possui mais de 4,5 mil seguidores no Instagram, para apresentar o trabalho das participantes a um público maior.

“Quis juntar a moda com o artesanato sergipano e, principalmente, dar ênfase às artesãs e ao trabalho dessas mulheres. A campanha vai reunir as peças delas com os óculos”, explicou.

Além das fotografias, a atividade abordou a apresentação dos produtos e a organização de vitrines, criando uma experiência prática sobre como imagem, exposição e comunicação podem interferir na percepção de valor de uma mercadoria.

Foto: Ascom/Fundat