Prefeitura promove espaços de diagnóstico e cuidado para pessoas com Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer

Fevereiro é o mês de conscientização de três doenças crônicas: Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer. Essas condições afetam mais de 8,5 milhões de pessoas no Brasil e sem os tratamentos adequados causam um significativo impacto na vida das pessoas acometidas. Em Aracaju, as Unidades de Saúde da Família (USFs) administradas pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), são os principais pontos para o diagnóstico e cuidado das doenças crônicas, garantindo que as pessoas tenham uma melhor qualidade de vida.

Segundo Ministério da Saúde, a lúpus é uma doença inflamatória autoimune, que pode afetar diversos órgãos e tecidos, como rins e pele. Entre os principais sintomas estão dor nas articulações, rigidez muscular e inchaços, vermelhidão na face em forma de “borboleta” e lesões na pele que pioram com o sol e entre outras. Já no caso da fibromialgia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, é uma síndrome que causa dores no corpo inteiro, sensibilidade ao toque e compressão muscular. O alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que afeta a memória e as funções cognitivas

As três doenças possuem um processo de diagnóstico mais complicado, devido a quantidade de exames necessários. No caso da fibromialgia, o diagnóstico é clínico a partir dos sintomas relatados, porém outros exames são solicitados para descartar a possibilidade de outras doenças que tenham sintomas semelhantes. Na Atenção Primária, processo de diagnóstico começa com os médicos generalistas nas USFs, a partir dos relatos dos pacientes são encaminhados para a realização dos exames e, dependo, do resultados dos exames encaminhados para especialistas, como os reumatologistas para suspeita de lúpus e fibromialgia, e neurologista para a o alzheimer.

Em Aracaju, qualquer pessoa pode se dirigir a uma USF quando começar a perceber os primeiros sintomas de qualquer doença, crônica ou não. O assessor técnico da pessoa com deficiência da SMS, Mouriso Ribeiro, explica que os pacientes podem marcar uma consulta com os médicos a qualquer momento. “Fevereiro é mês da conscientização, onde nos dedicamos a levar mais informações sobre essas doenças. Mas a população pode vir a uma unidade durante o ano inteiro, no qual serão recebidos, avaliados, encaminhados para os especialistas para que possam fechar ou descartar o diagnóstico e retornam a unidade para continuar realizando o tratamento e acompanhamento, seja com retirada de receitas e medicamentos ou para realização de atividades físicas, por meio da Academia da Cidade”, disse.

Para o tratamento, os pacientes são acompanhados por uma equipe multidisciplinar, composta pelos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos. Segundo Mouriso, esta equipe é essencial para que os pacientes tenham um tratamento completo que abrange as questões físicas e psicológicas.

“A equipe multidisciplinar acolhe o paciente por completo para entender quais terapias e caminhos são mais adequados para cada um. Apesar de não afetar de maneira direta e progressivas as funções mentais, como o alzheimer, a fibromialgia e a lúpus também geram um significativo impacto na saúde mental dos pacientes, muito por conta das dores que impedem que fazem coisas normais do dia-dia, sendo gatilhos para ansiedade e até depressão. Por isso precisamos de psicólogos para acompanhá-los no impacto das doenças na mente e rotina deles, assim como os fisioterapeutas e educadores físicos com os exercícios para o controle da dor”, falou o técnico. 

A prática de atividade física é bastante importante para o tratamento das três doenças, seja no alívio e prevenção das dores. Em Aracaju, os pacientes podem praticar exercício físico com orientação de educadores no Programa Academia da Cidade, iniciativa gerenciada pela SMS. Eles podem se inscrever no PAC por conta própria ou por serem encaminhados pelo médico da unidade de saúde.

O coordenador da academia da cidade, Genisson Silva, explica que os treinos para as pessoas com condições crônicas podem ser adaptados de acordo com as suas necessidade e limitações. “Os pacientes participam com todo o grupo, que não necessariamente possuem as mesmas doenças crônicas, mas a partir das avaliações individuais vamos direcionando a partir da necessidade de cada usuário e vai determinando atividades específicas. Porque tem paciente que tem aquela dores absurdas, no qual ele tem dificuldade até para sair de casa,  e tem outros que conseguem suportar um pouco mais a movimentação”, destacou.

O coordenador reforça que a atividade física é essencial para o retardamento de sintomas de esquecimento para os pacientes com Alzheimer. “A pessoa Alzheimer quando começa a fazer atividade física passa retardar um pouco mais esse esquecimento. Além de ajudar na preservação da locomoção e do raciocínio, porque o exercício envolve a parte cognitiva também, não é só o físico que é trabalhado”, reforçou.

Genisson também aponta que a participação na academia da cidade também tem um impacto positivo na saúde mental dos usuários. “Além da atividade física, esse é um momento de reunião de com várias pessoas e é muito importante que os pacientes tenham essa socialização. Porque, por exemplo, muitas pessoas com fibromialgia se sentem invalidados, pois nem todo mundo compreendem a suas dores. Então aqui acontece também esse acolhimento por parte dos outros participantes com eles”, contou.

A usuária do Usf Geraldo Magela, no conjunto Orlando Dantas, Tatiana Oliveira, de 50 anos, possui fibromialgia e foi através da médica da unidade que ela conseguiu chegar ao seu diagnóstico. Tatiana conta que desde a infância sentia dores intensas pelo corpo inteiro, chegando até ficar com uma perna paralisada durante uma crise. Com uma vida inteira de idas a consultas com diversos especialistas e exames, a condição dela foi diagnosticada como febre reumática.

Entretanto, os tratamentos para esta doença não era o mais adequado para sua real condição e foi somente com a médica da unidade que teve a primeira suspeita. “Eu tomava muitos antibióticos e muito corticóide para dor, mas as dores continuavam. Foi quando eu me consultei com a médica daqui do posto que ela percebeu os sinais, solicitou exames de sangue e me encaminhou para o reumatologista”, relatou.

A fibromialgia é uma síndrome que é pouco compreendida pela medicina e pela sociedade em geral, ocasionando também um significativo preconceito com as que possuem a condição. Ainda não foi identificado as causas para essa condição, assim como não possui exames específicos que sinalizem a doença. Por conta disso, diversos espaços principalmente de saúde levam um tempo para diagnosticar, acolher e tratar os pacientes, que são majoritariamente mulheres.  De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, de cada 10 pacientes, 7 são mulheres.

Em Aracaju, além das unidades de saúde, a Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), oferta atendimentos para mulheres com fibromialgia toda segunda-feira, de 14:00 às 17:00, na sede da pasta na Rua Boquim. Elas são atendidas individualmente por técnicas da secretaria e profissionais enviados pela Secretaria Municipal da Saúde, além disso acontecem rodas terapêuticas, momentos com técnicas de relaxamento, práticas de autocuidado e ações voltadas para formação profissional.

Para Tatiana, as ações promovidas pela Prefeitura de Aracaju voltadas para os pacientes com fibromialgia, e também outras doenças crônicas, são muito importantes pois muitos deles são invisibilizados. A usura também reforçou a importância dos médicos generalistas das Unidades de Saúde da Família. “Eu já passei por muitos médicos e foi somente aqui que consegui o diagnóstico certo. Então é muito importante termos médicos que tenham profissionais com esse olhar clínico mais amplo com as nossas queixas e que buscam identificar e cuidar corretamente das nossas condições”, concluiu.

Foto: Karla Tavares