Prefeitura promove palestra sobre nova interpretação da Lei Maria da Penha

Equipe da Coevim, ligada à Secretaria Municipal da Segurança e Cidadania (SSM), esteve presente na obra da Construtora FFB para promover uma palestra sobre a atualização da Lei Maria da Penha e a prevenção à violência contra a mulher

Levar informação para transformar comportamentos, ampliar a conscientização e fortalecer uma cultura de respeito e proteção às mulheres. Com esse propósito, a equipe da Coordenadoria de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Coevim), vinculada à Secretaria Municipal da Segurança e Cidadania (SSM), realizou uma palestra na obra da Construtora FFB sobre a atualização da Lei Maria da Penha e a prevenção à violência contra a mulher.

Cerca de 100 homens participaram da atividade, conduzida pela coordenadora da Coevim, Karine Assis. O encontro abordou os diferentes tipos de violência, os mecanismos de proteção previstos na legislação e, principalmente, o papel dos homens na prevenção e no enfrentamento da violência de gênero.

Entre os temas discutidos esteve uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que, por unanimidade, reconheceu que as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha podem ser aplicadas a qualquer forma de violência contra a mulher baseada no gênero, mesmo quando a ocorrência não se enquadra nos contextos domésticos, familiar ou de relação íntima de afeto.

Na prática, o entendimento amplia o alcance da proteção prevista na legislação, afastando a necessidade de que a violência esteja necessariamente vinculada ao local onde ocorreu ou à existência de uma relação específica entre vítima e agressor.

Debate também no ambiente de trabalho

A realização da palestra na Construtora FFB reforçou a importância de levar a discussão para diferentes espaços da sociedade. Em um setor historicamente marcado pela predominância masculina, abordar o tema no ambiente de trabalho também representa uma oportunidade para que os homens reflitam sobre comportamentos, relações e responsabilidades.

A proposta foi aproximar o conteúdo da legislação da realidade cotidiana dos trabalhadores, mostrando que o enfrentamento à violência de gênero não depende apenas da atuação do poder público e do sistema de Justiça, mas também da conscientização e da mudança de atitudes nas relações sociais.

Para a analista de Recursos Humanos da Construtora FFB, Kamila Brito, promover esse tipo de discussão dentro da empresa contribui para multiplicar o conhecimento entre os trabalhadores.

 “Essa ação é muito importante para todos. Precisamos levar informação para dentro do ambiente de trabalho, para que esse conhecimento possa ser multiplicado. É importante que os trabalhadores entendam que a violência contra a mulher precisa ser discutida e reconheçam que, muitas vezes, determinados comportamentos são reproduzidos por falta de conhecimento. São atitudes que machucam, maltratam e podem destruir relacionamentos. Levar essa informação é uma forma de promover a conscientização e estimular, aos poucos, o reconhecimento e a mudança desses comportamentos”, afirmou.

Homens também fazem parte da prevenção

A participação dos trabalhadores trouxe a discussão para além da legislação, estimulando reflexões sobre atitudes e responsabilidades nas relações cotidianas.

O mestre de obras da Construtora FFB, Jamisson Calumby, destacou a importância de ressignificar o papel masculino na família e na sociedade.

 “A palestra foi muito interessante porque nós, homens, precisamos entender que a figura masculina deve representar proteção, e não agressão. Sou pai de uma menina e tenho mãe, e não aceito nenhum tipo de agressão contra elas. Por isso, apoio totalmente a Lei Maria da Penha e acredito que esse tipo de informação é fundamental para que os homens tenham cada vez mais consciência sobre o seu papel”, enfatizou.

A atividade também contou com o relato da servente de obras Joseane Santos, que compartilhou sua experiência como sobrevivente de violência doméstica e ressaltou a importância do diálogo entre os próprios colegas.

 “Eu sempre converso com meus colegas de trabalho sobre esse assunto, até porque já passei por uma situação de violência doméstica. Muitas vezes, eles acabam desabafando comigo sobre seus relacionamentos, e eu procuro ajudar, esclarecer e orientar. Acredito que conversar sobre isso é muito importante para que eles entendam os cuidados que precisam ter com as mulheres e percebam que determinadas atitudes não devem ser normalizadas”, relatou.

Prevenção começa pela informação

Para a coordenadora da Coevim, Karine Assis, levar o debate ao público masculino é uma estratégia importante para prevenir situações de violência e ampliar a compreensão sobre o tema.

“A prevenção começa pela informação e pela conscientização. Quando levamos esse debate para um ambiente predominantemente masculino, como o da construção civil, conseguimos alcançar homens que muitas vezes nunca tiveram a oportunidade de conversar abertamente sobre violência doméstica, relacionamentos abusivos e o impacto de determinados comportamentos. Nosso objetivo não é apenas apresentar a legislação, mas provocar reflexão. É fazer com que cada participante compreenda que a violência não se resume à agressão física e que atitudes de controle, humilhação, ameaça, violência psicológica, moral ou patrimonial também podem causar danos profundos”, explicou.

Segundo Karine, a decisão do STF reforça a necessidade de compreender a violência de gênero de forma ampla e reconhecer que ela pode ocorrer em diferentes espaços.

 “Precisamos entender que a violência de gênero pode acontecer em diferentes espaços da sociedade. Por isso, falar sobre respeito, proteção e prevenção também precisa fazer parte dos ambientes de trabalho, das comunidades e de todos os espaços de convivência. O homem precisa compreender que proteger, respeitar e dialogar são atitudes de responsabilidade e que nenhuma forma de violência deve ser naturalizada”, concluiu.

A iniciativa integra as ações da SSM voltadas à prevenção da violência contra a mulher e à promoção de uma cultura de respeito, ampliando o acesso à informação e criando espaços de diálogo e conscientização sobre os direitos e os mecanismos de proteção às mulheres.

Foto SSM/AJU