Prefeitura de Aracaju fortalece a permanência na EJA com benefício de R$ 200 para os estudantes

A educação transforma vidas, amplia oportunidades e promove inclusão em qualquer fase da vida. Com o objetivo de incentivar a permanência e o retorno de jovens, adultos e idosos à sala de aula, a Prefeitura de Aracaju criou o Benefício pela Superação do Analfabetismo (BSAJU), auxílio mensal de R$ 200 destinado aos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal, administrada pela Secretaria Municipal da Educação (Semed).

Para ter acesso ao benefício, os estudantes precisam manter frequência regular, participar das atividades e avaliações escolares e estar inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). Segundo a coordenadora da EJA, Ana Izabel, o auxílio atende a uma reivindicação antiga dos estudantes e representa um importante instrumento de permanência na escola.

“Esse benefício já era um desejo do nosso público. Atendemos estudantes de 15 a mais de 70 anos, muitos deles em situação de vulnerabilidade social. O incentivo financeiro contribui para que essas pessoas retornem aos estudos e consigam permanecer na escola", explica.

Ana Izabel destaca que as mães solo estão entre as principais beneficiadas pela iniciativa. “Temos muitas mulheres que interromperam os estudos porque não tinham com quem deixar os filhos. Com esse auxílio, elas podem pagar alguém para ajudá-las durante o período das aulas e retomar um projeto de vida que havia sido interrompido”, pontua.

Durante o levantamento realizado pela Semed para a implantação do programa, relatos dos próprios estudantes evidenciaram o impacto que o benefício pode representar.

"Um aluno nos disse que R$ 50 já fariam muita diferença para ele. Isso mostra o nível de vulnerabilidade de parte desse público. Quando anunciamos que o benefício seria de R$ 200, a reação foi de muita alegria", relata Ana Izabel.

A coordenadora ressalta que programas de incentivo financeiro contribuem diretamente para reduzir a evasão escolar. "Assim como outros programas sociais ajudam a garantir a permanência das crianças na escola, entendemos que o apoio financeiro também faz diferença para os estudantes da EJA. Ele fortalece o compromisso com a frequência e estimula a continuidade dos estudos."

Além do benefício, a rede municipal tem investido no fortalecimento do acolhimento nas unidades de ensino. Para a coordenadora, garantir um ambiente seguro e respeitoso é tão importante quanto o processo de alfabetização.

"Muitos adultos e idosos chegam à escola carregando histórias de vida difíceis. Antes de ensinar a ler e escrever, muitas vezes precisamos acolher, ouvir e mostrar que a escola é um espaço onde eles são respeitados e valorizados. Esse sentimento de pertencimento é fundamental para que permaneçam estudando."

Transformação que vai além da sala de aula

A Educação de Jovens e Adultos tem mudado a realidade de centenas de estudantes da rede municipal, inclusive pessoas em situação de vulnerabilidade social e em situação de rua. Histórias marcadas por interrupções escolares, dependência química e exclusão social hoje dão lugar a novos projetos de vida.

Um desses exemplos é Luciano da Silva, de 43 anos, natural de Coruripe (AL). Atualmente acolhido na Casa de Passagem Freitas Brandão, equipamento da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), ele afirma que voltar a estudar renovou suas perspectivas.

"Desde que comecei a estudar, tudo mudou. O conhecimento transforma a vida da gente. Hoje tenho vontade de continuar aprendendo e sonho em fazer faculdade”, diz Luciano.

Apaixonado por História, Luciano deseja se tornar professor. Para ele, o BSAJU também será um importante apoio. "Esse dinheiro vai ajudar a comprar material, livros, uma roupa ou até um lanche. É um incentivo muito importante para continuar estudando”, salienta.

Também acolhido na Casa de Passagem, Nataniel da Silva, de 26 anos, interrompeu os estudos ainda no quinto ano do ensino fundamental. Após chegar a Aracaju em busca de emprego e enfrentar a situação de rua, encontrou na EJA uma oportunidade de recomeçar.

"Desde que voltei para a escola, minha forma de pensar mudou. Hoje tenho objetivos, quero crescer e construir um futuro melhor." Nataniel diz que seu sonho é cursar Direito. "O benefício vai ajudar na compra de materiais escolares e facilitar bastante minha permanência na escola”, destaca.

Aos 47 anos, Adenilson Santana também reencontrou na educação um caminho para reconstruir a própria vida. Depois de interromper os estudos em razão da dependência de álcool e outras drogas, voltou à sala de aula e afirma que o aprendizado fortaleceu sua recuperação.

"Hoje meu foco é aprender, ler, desenhar e seguir em frente. Estudar mudou completamente a maneira como enxergo minha vida." Para ele, o auxílio representa mais dignidade no dia a dia. "Agora podemos comprar uma roupa, um lanche ou aquilo que estiver fazendo falta. É uma ajuda muito importante."

José da Conceição, de 52 anos, conheceu a EJA por meio das aulas oferecidas no Centro POP. Após abandonar os estudos aos 11 anos, conseguiu aprender a ler e escrever somente em 2023.

"Antes eu só sabia assinar meu nome. Hoje tenho orgulho de tudo o que aprendi. Sei que perdi muito tempo por causa das drogas, mas agora estou recuperando essa oportunidade."

Além do aprendizado, ele destaca o acolhimento recebido. "A convivência com os professores e colegas faz muito bem para mim. Aqui encontrei apoio, respeito e vontade de seguir aprendendo."

Valmir Pereira, de 58 anos, também atribui aos estudos mudanças importantes em sua qualidade de vida. "Estudar ajuda a ocupar minha mente e faz muito bem para a minha saúde. A professora tem muita paciência e todos me acolhem muito bem."

Ele acredita que a soma do benefício estudantil com a renda que já recebe permitirá alcançar um objetivo antigo. “Agora vou conseguir sair da Casa de Passagem, alugar minha casa e continuar estudando”, afirma.

Foto: Ronald Almeida/ Secom PMA