Governo de Sergipe fortalece rede de apoio às mães com políticas públicas

Dedicação, tempo, paciência, mudanças, entrega, amor. Muitas são as características da maternidade, celebrada internacionalmente no segundo domingo do mês de maio. Entre desafios cotidianos e histórias de superação, mães sergipanas encontram no suporte oferecido pelo Governo do Estado uma rede essencial para cuidar dos filhos e manter a rotina familiar. Por meio de programas sociais, atendimento em saúde especializada e iniciativas de acolhimento, Sergipe tem ampliado políticas públicas voltadas à maternidade e à proteção das famílias.

Neste caminho, são vivenciadas histórias como a de Kátia da Silva, mãe de nove filhos, que recebeu o diagnóstico de leucemia de José Vitor, de 3 anos, durante a gestação do mais novo, atualmente com dois meses de idade. “Tive o bebê de parto normal e, assim que recebi alta, vim ficar com Vitor. Ele não fica sem mim”, lembrou.

Entre idas e vindas ao Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), onde Vitor fica internado para fazer quimioterapia, Kátia tenta cuidar dos outros filhos, mesmo à distância. A tarefa é dividida com o marido, que segue a rotina enquanto ela precisa se ausentar da casa, em Nossa Senhora do Socorro. “Gosto de ser mãe. Para mim, não tem desafio, não. Já sou bem acostumada, a carreira é grande. Meu filho mais velho tem 25 anos. Quando estou aqui, no Huse, faço chamada de vídeo com os outros, acordo eles, mando ir para a escola. Estou aqui, mas, praticamente, estou lá, também”, explicou.

A resiliência para equilibrar todas as demandas chama atenção. “As enfermeiras ficam me perguntando como aguento. Quando passo muitos dias, eu não durmo, fico pensando neles lá em casa”, contou Kátia.

O tratamento de José Vitor deve durar cerca de dois anos, até o início de 2028. Para Kátia, é um conforto saber que pode contar com toda a equipe do Huse. “Eles acolhem a gente com todo carinho. Gosto do atendimento dos médicos, dos enfermeiros. Toda equipe aqui é nota 10”, elogiou.

Assim como Kátia, Luzia Santos de Jesus também tem dividido a rotina entre hospital e casa, em Nossa Senhora das Dores. Mãe de Thifany Victoria de 15 anos, e de outras duas crianças, de 9 e 13 anos, que ficam aos cuidados do pai, ela viu seu mundo mudar há dois meses, quando a mais velha foi diagnosticada com Linfoma não Hodgkin e também passou a ter a equipe do Huse como apoio. “O diagnóstico foi um susto, mas estou enfrentando com a força que Deus me dá. Aqui no Huse, ela recebe bastante atenção, a equipe tem um atendimento ótimo mesmo. Todos são muito bons profissionais. Se comparar como ela chegou, está praticamente curada”, enfatizou.

Luzia volta ao Huse a cada 21 dias e fica junto com a filha, que recebe quimioterapia. Antes do diagnóstico, ela conciliava a maternidade com os estudos do Ensino Médio, os quais precisou parar na juventude quando descobriu que seria mãe. “Amei ser mãe, acho que isso me tornou uma pessoa mais cuidadosa, e sei que ela também ama ser minha filha. Quando ela volta para casa e está bem, tento seguir minha rotina normal, mas muita coisa mudou”, revelou.

Além do pai das crianças, Kátia conta com a ajuda de uma sobrinha. “Ela é como uma segunda mãe para a minha filha e dá todo o suporte quando eu não posso estar aqui”, enfatizou.

Importância da rede de apoio

Aos 15 anos, Laiane Oliveira Santos foi mãe de Lara, atualmente com 10. Sete anos depois, chegou Ana Vitória, e Laiane decidiu parar por aí. Mas, no fim do último mês de março, após uma gestação delicada, chegaram ao mundo os gêmeos João Lucas e João Vitor. “Tive descolamento de placenta e o colo do útero parou de se desenvolver. Recebi acompanhamento médico particular, no posto e no Caism [Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher], e correu tudo bem”, relatou ao destacar que, com o suporte médico que receberam, os meninos nasceram de cesariana às 36 semanas e a mãe fez laqueadura.

Laiane é dona de casa e, para garantir o sustento da família junto com o marido, é beneficiária do programa Mãe Sergipana, que garante uma renda mensal e o enxoval dos bebês. A filha de 3 anos é cadastrada no ‘SerMais Criança’, que também oferece um auxílio mensal. Ambos os projetos são da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania de Sergipe (Seasic). “Os bebês tomam leite materno e fórmula. Seria difícil manter sem o benefício porque eles mamam muito e usam bastante fraldas”, frisou.

Mesmo engravidando jovem, Laiane conseguiu finalizar o Ensino Médio e fazer cursos técnicos. “Tive apoio da minha tia e da minha mãe nesse caminho, mas não é fácil, muda a vida toda. E agora, que tive dois de uma vez só, é viver tudo de novo em dobro. Mas também amadureci muito e tudo o que aconteceu me uniu mais à minha mãe, que está sendo meu suporte”, afirmou com gratidão.

No entanto, rede de apoio não é realidade para toda família. Muitas mães solo precisam se desdobrar para conseguir prover a casa, como a autônoma Eliana Melo, que vende lanches durante eventos, a exemplo do Arraiá do Povo e Vila da Páscoa, promovidos pelo Governo de Sergipe, na Orla da Atalaia, em Aracaju. Nas últimas edições das festas, a ambulante contou com a Estação Acolher, uma iniciativa da Seasic que oferece suporte a trabalhadores informais com acolhimento, alimentação, banho, área de descanso e espaço infantil. “O suporte que a Estação Acolher dá para os filhos da gente é maravilhoso, é fora do normal. Para as mães solo, é muito importante sair de casa para trabalhar e saber que o filho está em um local adequado, tem pessoas supervisionando, que ele está se divertindo, também. A sensação que tenho quando saio de casa é que ele vai estar em boas mãos”, celebrou a mãe durante a Vila da Páscoa 2026, realizada neste último mês de abril.

Medos e tentativas

Para algumas mulheres, os desafios iniciam antes do teste positivo de gravidez, com as frustrações das tentativas, e perduram até ter o bebê nos braços, como foi o caso de Kailane Araújo, mãe de Hendrew. O menino nasceu em abril deste ano, na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), unidade estadual especializada para partos de alto risco, porque dois dias após completar 33 semanas a bolsa de Kailane rompeu e ela precisou ser internada para que o bebê não nascesse antes da hora.

“Eu era tentante e já tive uma perda. Ficava me perguntando se esse ano estaria com meu bebê no Dia das Mães e vou sair daqui com ele nos meus braços, vai ser o meu troféu. Isso aqui é um milagre porque tive uma gestação muito delicada e quando cheguei tive uma atenção especial do pessoal, da limpeza aos médicos”, contou.

Em breve, mais famílias terão acesso aos serviços da MNSL por meio do Complexo Materno-Infantil, que está em construção e vai ampliar 48% da capacidade atual. A unidade contará com 234 leitos de internação, Casa de Gestante, Bebê e Puérpera, Banco de Leite Humano, ambulatório de seguimento e serviços de apoio diagnóstico e terapêutico. A proposta do novo complexo é qualificar o cuidado desde o pré-natal de alto risco até o acompanhamento do recém-nascido após a alta hospitalar.

Maternidade atípica

Aos 19 anos, a funcionária pública Marilene Oliveira de Jesus se tornou mãe de Luan. “Uma maternidade muito jovem, não planejada, cheia de percalços naquela época. Foi uma alavancada na minha vida, me fez alguém muito melhor. Porém, eu não recomendo para ninguém”, revelou.

Aos 37, durante a pandemia, vieram os gêmeos autistas Maria e Tom, após diversas perdas de familiares e um processo depressivo. “Eles foram meu renascimento, mas são maternidades completamente diferentes. Se na primeira eu me preocupava com a alfabetização, faculdade, com a maternidade atípica, me preocupo com desenvolvimento básico, de fala, mobilidade”, pontuou.

Apesar de toda a dificuldade, Marilene se considera privilegiada, principalmente por ter rede de apoio familiar e de amigos, e poder contar com serviços públicos oferecidos pelo estado. Atualmente, as crianças são atendidas pelo Centro de Terapias Integradas Hanna Kauany Teles de Paula do Ipesaúde e pela equoterapia da Polícia Militar. Além disso, ambos têm a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), que facilita o acesso a atendimentos prioritários e a serviços públicos. O documento é emitido pela Seasic. “Os serviços são essenciais. Seria muito caro manter todo esse suporte de forma particular”, enfatizou.

Com a experiência que adquiriu, tempo e paciência, para ela, são maiores exigências da maternidade, papel que exerce com orgulho. “Sou mãe típica e atípica e me considero muito boa como mãe. Acho que não tem nada no mundo que me define melhor. Eu sei que eu exerço meu papel divinamente”, garantiu.

Para quem vive a maternidade na prática, entre rotinas intensas e desafios constantes, o acesso aos serviços públicos representa não apenas suporte, mas a possibilidade de seguir em frente com mais segurança, dignidade e perspectiva de futuro.

Foto: Thiago Santos