Delegada Danielle Garcia alerta para avanço do feminicídio em Sergipe

A delegada Danielle Garcia (MDB) fez um alerta contundente sobre os números da violência contra a mulher em Sergipe durante entrevista concedida nesta quinta-feira, 5, aos radialistas Narciso Machado e Magna Santana, no Jornal da Fan. Segundo ela, o estado já registra, apenas neste início de ano, um caso de feminicídio consumado e 11 tentativas, dados que evidenciam a gravidade do problema e a necessidade de respostas imediatas do poder público.

Ex-secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Daniele contextualizou os números em um momento simbólico, firmado  pela assinatura do Pacto Nacional contra o Feminicídio, firmada recentemente em Brasília pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Para a delegada, o cenário atual exige mais do que compromissos institucionais formais.

“O Brasil registra, em média, quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. É preciso avaliar com seriedade onde estamos falhando”, afirmou. Na avaliação de Daniele, a fragmentação das políticas públicas ao longo dos anos comprometeu a eficácia das ações de prevenção e proteção. “A ausência de integração entre as iniciativas contribuiu para a perda de eficiência no enfrentamento desse tipo de crime”, completou.

A delegada apontou o machismo estrutural como um dos principais fatores que alimentam a violência de gênero. Segundo ela, ainda persiste na sociedade a visão de que a ocupação de espaços pela mulher representa uma ameaça à estrutura social tradicional. “Observa-se que o aumento do Índice de Desenvolvimento Humano reduz a violência de forma geral, mas essa correlação não se aplica aos crimes de gênero, o que revela um problema de natureza cultural”, destacou.

Com base em sua experiência na segurança pública,

Danielle Garcia ressaltou que as medidas protetivas continuam sendo um instrumento essencial para a proteção das vítimas, mas defendeu maior rigor na aplicação da legislação. “Quando a resposta do sistema de Justiça é firme, o agressor tende a recuar. A efetividade da lei depende da sua aplicação rigorosa”, pontuou.

Durante a entrevista, a delegada também comentou o vídeo divulgado pela prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), no qual a gestora relatou ter sido alvo de machismo durante uma coletiva de imprensa. Daniele reconheceu que mulheres em cargos públicos frequentemente enfrentam preconceito, mas avaliou que, no caso específico, não identificou elementos de misoginia ou machismo, ressaltando que críticas fazem parte da atuação institucional.

No campo político, Danielle Garcia afirmou manter-se firme em suas convicções, mesmo diante de críticas por integrar o bloco governista.

Ao final, Danielle reforçou que o enfrentamento ao feminicídio demanda integração de políticas públicas, rigor na aplicação da lei e ações contínuas de enfrentamento ao machismo estrutural, destacando que a proteção à vida das mulheres deve ser tratada como prioridade permanente.

Texto e foto assessoria