Direção da CUT-SE participa da 6ª Conferência Nacional das Cidades em Brasília

Em quatro dias de debates intensos na cidade de Brasília, de 24 a 27 de fevereiro, a 6ª Conferência Nacional das Cidades reuniu representantes de todo o Brasil para discutir a formulação de políticas públicas necessárias e o futuro das cidades brasileiras a partir do tema "Construindo a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano: caminhos para cidades inclusivas, democráticas, sustentáveis e com justiça social".

Na mesma semana em que aconteceu a 6ª Conferência Nacional das Cidades, após 1 mês sem água, a população do bairro Lamarão, em Aracaju, capital de Sergipe, ocupou as ruas bloqueando a pista que liga os municípios de Nossa Senhora do Socorro e Aracaju para cobrar a normalização do abastecimento de água.

Há 2 anos, o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, privatizou a água e ignorou o apelo do movimento social e sindical que protestou antes, durante e depois da privatização para alertar que a população não pode ficar sem água, um bem essencial para a vida.

Diretora da CUT-SE (Central Única dos Trabalhadores), da FNU (Federação Nacional dos Urbanitários) e do SINDISAN (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe), Iara Nascimento, participou da 6ª Conferência Nacional das Cidades e levou este apelo do povo sergipano que, desde a privatização, não aguenta mais ficar sem água.

“Hoje a população de Sergipe está sofrendo com tudo o que o movimento sindical já avisava que iria acontecer. Água não é mercadoria, é bem essencial à vida. A 6ª Conferência Nacional das Cidades representa um passo decisivo para resolver esse problema, que não existe só em Sergipe, pois a privatização da água é uma realidade infeliz também em outros estados. Esse foi criado pela ganância, pela visão privatista que não se importa com a vida da população que vive nas cidades brasileiras”, explicou Iara Nascimento.

Democracia e Desenvolvimento das Cidades

Além da questão da água e do saneamento básico, a Conferência Nacional abordou vários desafios a serem superados através da construção e implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU).

Presente na Conferência, a professora Josi, do município de Laranjeiras/SE, diretora da CUT/SE e dirigente do SINTESE (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe), apontou que após o golpe contra a presidenta Dilma (PT), em 2016, os governos golpistas que subiram ao poder no Brasil ficaram mais de uma década sem realizar esta importante Conferência Nacional que reúne representantes do poder público (federal, estadual e municipal), sociedade civil, movimentos sociais, setor empresarial e especialistas.

 “Estamos aqui para construir coletivamente a PNDU, e assim superar desafios como déficit habitacional, precariedade do saneamento, mobilidade urbana, periferias, justiça climática e redução das desigualdades. Por isso essa conferência é um marco importante para o desenvolvimento urbano mais participativo e mais justo no Brasil”, declarou a professora Josi.

Daniella Araújo Guimarães, representante do SINDSEME (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Estância), dirigente sindical CUTista, participou da 6ª Conferência Nacional das Cidades, e resgatou o trabalho de Olívio Dutra que foi o primeiro ministro do Ministério das Cidades, criado em 2002, no Governo Lula, e implementou várias ações para a construção de cidades inclusivas, democráticas e com justiça social.

A servidora pública do município de Estância avaliou a 6ª Conferência Nacional das Cidades como momento histórico importante para a consolidação de uma sociedade democrática, com o combate à desigualdade social, historicamente impetrada à classe trabalhadora.

“Com a reativação dos Conselhos das Cidades, podemos reafirmar que é através da conquista do direito à moradia que podemos acessar todos os outros direitos. Vamos à luta para construir uma municipalidade forte e capaz de promover o real desenvolvimento social dos seus habitantes e, assim, teremos municípios, Estados e um País com habitabilidade inclusiva, respeito à diversidade dos povos e territórios e ao meio ambiente”, observou Daniela Araújo.

Do município de Boquim/SE, o dirigente sindical CUTista, presidente do SINDSEMB (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Boquim), Jociel da Conceição Santos comparou a Conferência com edições anteriores.

“Percebo que a participação popular é fundamental nas Conferências, nos Conselhos, pois o empresariado também percebeu que esses espaços podem ser utilizados como armas para empurrarem suas pautas que são contra os trabalhadores. Tudo isso só reforça ainda mais a necessidade da presença da classe trabalhadora nas Conferências Nacionais da Cidade para barrar o retrocesso e a perda de direitos”, alertou Jociel da Conceição.

Debate Nacional

O companheiro Aparecido Donizeti, representante da direção nacional da CUT e membro do Conselho Nacional das Cidades (ConCidades) ressaltou que são trabalhadoras e trabalhadores quem constroem o desenvolvimento nas cidades, seja produzindo e/ou consumindo.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, evidenciou o quão importante é a moradia na vida das mulheres que na sua maioria são "arrimo de família". O ministro da Cidade, Jader Barbalho, reforçou o apoio do governo Lula para a retomada deste espaço democrático e fundamental para o futuro das cidades.

No segundo e terceiro dia da Conferência, as delegadas e delegados se dividiram nos debates das salas temáticas para avaliar a síntese das propostas aprovadas nas Conferências Estaduais e na sequência aconteceram os debates sobre o texto final da Conferência.

O último dia, sexta-feira, dia 27, foi marcado pelas deliberações, votação de moções, homologação dos textos final da Conferência e das entidades da nova gestão.

Texto e foto Iracema Corso